Desde sempre o ser humano procurou compreender o que é o amor. A industria do entretenimento é na sua esmagadora maioria voltada para esta temática. Após vários anos, e depois de inúmeros covers, os músicos continuam a querer saber "What Love Is".
Há milhares de anos que somos levados por correntes que tentam definir amor. Quando Paulo fala aos Efésios a respeito do relacionamento entre marido e mulher, como um ótimo argumentador que era, Paulo deixa a revelação bombástica para o final.
Numa primeira instância, em que Paulo revela que o papel da mulher é ser sujeita ao marido, certamente que ninguém se sentiu chocado, à época. Era o expectável. Ninguém ficara surpreso. O que era verdadeiramente chocante foi a declaração feita a seguir: "maridos, amai as vossas esposas como Cristo amou a igreja...". Tendo em mente que o público de Paulo não era completamente judeu, muitos dos que estariam a ouvir viriam de tendências culturais completamente diferentes. Nomeadamente, algumas culturas acreditavam que amor, verdadeiro amor, era apenas entre dois homens. As mulheres eram apenas veículos, literalmente, animais sem alma, através dos quais se possibilitava a reprodução da espécie. Quão estranho não terá sido ouvir que agora tínhamos de amar a nossa esposa, como se ela fosse alguém. Como se merecesse amor. Ainda para mais como Jesus amou a igreja: de forma tão incondicional.
Por outro lado, nos dias de hoje, esta exortação de Paulo em Efésios 5 continua a ser altamente bombástica. No entanto, não pela segunda, mas pela primeira afirmação. Na cultura em que estamos submerssos, escandaloso é pensar que a mulher tem de ser submissa. De qualquer das formas, a conclusão é: continuamos sem entender o que é o amor de que Paulo nos fala. Nem na altura perceberam que amar era servir, nem hoje entendemos que servir é amar. Em resumo, nunca ninguém chegou à conclusão que Paulo está a chamar AMBOS a servirem-se mutuamente - visto que Cristo amou servindo, entregando-se, obedecendo e sujeitando-se, mas o tema da submissão ficará para outro post.
Mas porquê? Porquê que tanto procuramos saber o que é amor, e quando alguém nos tenta responder, guiado pelo Espírito Santo, nós não conseguimos entender? O que é que nos fecha os olhos para o que Deus nos quer dizer? É a cultura, que torna um ponto, e depois o outro, estranho e escandaloso? Quem define a cultura?
"Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos aos que não crêem, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." - 2 Coríntios 4:3-4
Quem define as correntes de pensamento que circulam no mundo é satanás - o deus deste presente século. A Bíblia diz explicitamente que é ele quem cega o entendimento aos que não crêem para que continuem não crendo; para que continuem cegos.
Podemos olhar à nossa volta e examinar a forma como o amor é apregoado pela sociedade. A forma feroz como é defendido e como é plantado na nossa mente como uma bandeira carregada de slogans vazios: "Amor é amor!"
Nos dias que correm, a perseguição é tão esmagadora que o amor deixou de ser um sentimento; deixou de ser borboletas e "walking on sunshine" e passou a ser uma ideologia, um conjunto de valores, uma cosmovisão.
Porquê?
Porquê esta insistência de satanás em ir mudando o discurso, mas nunca a temática? Continua a ser o que mais se anseia saber: O que é o amor? Continua a ser o assunto número um em livros, em músicas, nos filmes, nos blogs, nos diários e nos mais profundos e vulneráveis desejos do coração humano.
"...Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." - 1 João 4:8
Permitam-me conjeturar uma possível resposta a estas questões.
Acredito que satanás esteja constantemente a mudar estas noções de amor para nos dar a falsa sensação de que vamos evoluindo no pensamento; de que estamos a pensar "mais à frente" do que alguma vez estivemos. Mas a verdade é que continuamos cegos por alguém que nos quer manter cegos.
"Mas porquê manter-nos cegos a respeito de um sentimento tão bonito?"
Simples: Amor. Não. É. Um. Sentimento!
Amor são três pessoas: Deus!
Nós não podemos definir amor nem mudar a sua definição porque, para começar, não só nos é algo externo como é intrínseco a outra Pessoa. Não é nosso. Não nos foi dado.
Satanás tem sido tão feroz a respeito deste tema, porque querer definir amor é querer mexer, é querer mudar, a própria natureza de Deus; é querer alterar a Sua identidade! É, acima de tudo, garantir que nunca cheguemos ao pleno entendimento da Sua natureza; e nunca poderemos aceitar algo que não entendemos. Na verdade, cada vez nos é mais difícil, como sociedade, entender "como é que Deus pode ser amor e __________ ?"
Isto acontece porque nos foi distorcida a natureza de Alguém. Não só permitimos que satanás deturpasse a identidade de Deus, como que retirasse das Suas mãos a Sua autoridade em se definir; em definir o que é amor.
É nosso papel como igreja continuar a salgar. É nosso papel chegarmo-nos à frente para falar daquilo sobre o qual nos foi dada autoridade. Está na altura de nos levantarmos em amor, respeito e serviço àqueles que foram cegados e precisam de voltar a ver.
Comments